O secretário de Estado Marco Rubio admitiu em declarações públicas uma intervenção armada dos EUA na Venezuela e noutros países latino-americanos sob pretexto de combater os cartéis da droga que o país acaba de classificar como “organizações terroristas”.
Aparentemente, um conjunto de ações diretas legalmente interditadas às Forças Armadas norte-americanas poderá ser agora acionado, ao abrigo desta alteração. Trump terá já assinado as correspondentes ordens às suas chefias militares. Entre as ações passíveis de virem a ser adotadas, disse Rubio, estão operações navais e aéreas de bombardeamento de alegadas infraestruturas dos cartéis de narcotraficantes.
Nos últimos dias, o ministro do Interior venezuelano anunciou a descoberta de material explosivo e dispositivos de detonação em diferentes pontos do país. Ao mesmo tempo, oito pessoas foram detidas em Caracas e doze encontram-se em fuga, por alegado envolvimento na preparação de um atentado numa praça central da cidade.
O narcotráfico como pretexto
Enquanto as Forças Armadas venezuelanas entraram em estado de alerta, repetindo-se as declarações de apoio à revolução por parte das suas altas chefias, vários outros países latino-americanos declararam o seu apoio a Nicolás Maduro, por cuja captura vem de ser aumentada pela Procuradoria-Geral norte-americana, a “recompensa” de 25 para 50 milhões de dólares.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum Pardo, rejeitou qualquer intervenção dos EUA no seu país sob o falso pretexto de combate ao narcotráfico. O presidente colombiano Gustavo Petro, declarou por seu lado que qualquer ataque à Venezuela será entendido pela Colômbia como um ataque a toda a América Latina.
Em sentido contrário a organização dos Estados Americanos (OEA) sob controlo dos Estados Unidos, acaba de divulgar (mais) um relatório sobre aleadas violações dos Direitos Humanos na Venezuela, no âmbito de uma campanha que em conduzido permanentemente contra a revolução de Chávez e Maduro.
O pretexto invocado para atacar a Venezuela é a alegada descoberta de vínculos entre o governo de Caracas e, especificamente, o seu presidente, Nicolás Maduro, e o chamado Cartel venezuelano de Soles, cujo desmantelamento as autoridades do país anunciaram. Segundo o ministério do Interior Venezuelano, só este ano, foram apreendidas 52 toneladas de drogas no país, no âmbito do combate ao narcotráfico. Uma guerra que qualquer visitante da Venezuela pode testemunhar, pelas intensas e constantes revistas às bagagens dos viajantes nos aeroportos, recorrendo, nomeadamente, às brigadas cinéticas, com uso de cães treinados na deteção de drogas.
Para o governo venezuelano, prevenir qualquer acusação fundamentada sobre o envolvimento ou sequer a permissividade relativamente às questões do narcotráfico é uma prioridade máxima não só de segurança, como política. As acusações norte-americanas de envolvimento em narcotráfico contra regimes revolucionários constituem um clássico na intervenção dos EUA contra esses governos. Em 1989, o Panamá foi invadido com grande violência militar sob esse pretexto, e o presidente e antigo colaborador da CIA, general Noriega, foi capturado e encarcerado nos Estados Unidos, sob essa acusação.
Depois de goradas as tentativas de intervencionismo no processo político venezuelano sob o frágil pretexto de “fraudes eleitorais” e “violações dos direitos humanos”, aparece agora a alegada fundamentação do combate ao narcotráfico e a acusação de neles estarem envolvidas as autoridades do país e o seu próprio presidente.
Para além de não apresentarem quaisquer factos que corroborem as suas alegações, o que os Estados Unidos não explicam é a ilógica razão pela qual Nicolás Maduro, que dirige e controla, alegadamente em ditadura, um dos países com maiores riquezas naturais do mundo precisaria de comprometer-se a si mesmo e ao seu poder, envolvendo-se em negócios de drogas.
Para declarações de Rubio: https://www.infobae.com/venezuela/2025/08/08/marco-rubio-advirtio-que-designar-como-organizacion-terrorista-al-cartel-vinculado-a-maduro-permite-a-eeuu-realizar-operaciones-militares/
Para notícias sobre as recentes apreensões e para um repositório das ações armadas contra o governo venezuelano: https://www.laiguana.tv/articulos/1392770-la-violencia-opositora-no-es-cuento-aunque-finjan-ser-blancas-palomas-clodovaldo/?fbclid=IwY2xjawMG29VleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFoVnBXclhINEZwbnRBMmxNAR72POYCyB0pC3FtnamGL0CasTD8rJhJXjPQJOKTWHncVC2-DNwamY-mowTLRQ_aem_MeK2x34aATPVYBlUSWCepA
Para notícias relativas à OEA: https://www.oas.org/es/centro_noticias/comunicado_prensa.asp?sCodigo=AVI-134/25
Para notícias desenvolvidas sobre os últimos desenvolvimentos da situação militar: https://www.correodelorinoco.gob.ve/
Autor: Rui Pereira
(Especial para Notícias Independentes)