Hoje, no tapete vermelho de Veneza, Hollywood dá uma guinada inesperada e monumental: figuras como Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer se juntam como produtores executivos de A Voz de Hind Rajab, dirigido pelo cineasta tunisiano Kaouther Ben Hania. Este drama reconstrói os últimos momentos de Hind Rajab, uma menina palestina de apenas seis anos, assassinada em janeiro de 2024 enquanto pedia socorro de um veículo crivado de 335 ferimentos de bala.
O filme não é apenas um ato de memória em homenagem a uma vítima inocente; é um clamor pela humanidade. É baseado em gravações reais — da voz de Hind — dirigidas por voluntários do Crescente Vermelho, que tentaram, sem sucesso, contatá-la. Dois paramédicos enviados para ajudar também foram mortos, apesar de terem autorização prévia para entrar em cena.
Esse apoio massivo ao cinema independente, com plataformas como Film4 e MBC Studios, representa um ponto de virada. Durante décadas, a indústria preferiu evitar o assunto por medo de boicotes políticos ou econômicos. Hoje, porém, o silêncio se transforma em resistência, a indiferença em responsabilidade artística.
A Voz de Hind Rajab não é apenas mais uma produção: é uma memória coletiva. A voz de uma criança que repete o que a mídia pode silenciar e o que os poderosos querem enterrar. Quando o cinema resgata do esquecimento aqueles que foram assassinados enquanto clamavam por socorro, está cumprindo seu dever mais nobre: preservar a memória, desafiar o poder e nos lembrar de nossa humanidade compartilhada.
27 de agosto de 2025
União Palestina da América Latina – UP