O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano sublinha que a segurança e o poder do Irão provêm da sua capacidade interna e não do exterior, como no caso da Ucrânia.
“O Irão não compra a sua segurança, constrói-a. Não dependemos do apoio de outros, mas defendemo-nos com base no conhecimento, poder e capacidades internas”, sublinhou Seyed Abbas Araqchi num artigo publicado no diário iraniano Ettelaat, na quarta-feira.
No editorial, intitulado “Confusão na Casa Branca; tontura na política global”, o chefe da diplomacia persa referiu-se a uma discussão na semana passada entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo ucraniano, Volodymir Zelensky, na Casa Branca. Segundo ele, esta disputa sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia “não foi apenas um desacordo comum; revelou fracturas profundas no núcleo do sistema internacional”.
A coluna aponta para uma mudança de dinâmica na Ucrânia, onde Zelensky, que tem contado com a ajuda ocidental, desafia agora diretamente a liderança dos EUA. “Até os pequenos aliados estão a aperceber-se de que a sua dignidade tem um preço”, acrescenta Araqchi.
A experiência da Ucrânia e de outros Estados subservientes às políticas ocidentais demonstrou “que os países que basearam a sua segurança na dependência de outros se tornaram, em momentos críticos, vítimas de mudanças nas prioridades” dos seus patrões, salienta.
O ministro dos Negócios Estrangeiros aplaudiu a política fundamental de independência e autossuficiência da República Islâmica. O país persa, acrescenta, escolheu um caminho de autossuficiência, evitando os riscos que advêm da dependência de alianças geopolíticas inconstantes. Para o Irão, “a independência não é apenas um slogan, mas uma necessidade inevitável”, sublinhou.
Sublinhou que “o Irão há muito que compreendeu que a dependência só conduz à instabilidade e à perda de soberania nacional. A verdadeira segurança não vem do apoio de potências externas, mas da capacidade interna, da utilização dos recursos nacionais e da confiança no povo.
O diplomata persa recordou que, desde a vitória da Revolução Islâmica (1979), as potências arrogantes recorreram a todos os instrumentos de pressão para subjugar a nação persa, sem sucesso.
“A manutenção da independência tem um custo e o Irão sempre pagou esse preço. Desde os primeiros dias da Revolução Islâmica, as pressões económicas, as sanções, as ameaças militares e as guerras por procuração foram concebidas para transformar o Irão num ator submisso no sistema internacional”, escreveu.
No entanto, Araqchi sublinhou que “o Irão, contrariamente ao que os inimigos previram, resistiu e demonstrou que, face às pressões, não só não desiste, como, com base nas suas capacidades internas, prossegue o seu caminho para o desenvolvimento e o progresso”.
Graças a esta atitude e a esta política, o Irão não depende de promessas estrangeiras na sua política externa, nem se deixa intimidar pelas ameaças dos seus inimigos.
Sublinhou que a República Islâmica escolheu durante muitos anos um caminho em que “nem o apoio condicional das potências mundiais, nem as promessas diplomáticas instáveis, nem as ameaças externas são a base das suas decisões. O que é importante para o Irão é preservar a sua independência, reforçar as suas capacidades internas e avançar numa direção que deriva dos interesses nacionais”, sublinhou.
Araqchi concluiu, sublinhando que “num mundo em que as potências se envolvem em disputas e competições instáveis, o Irão, firme nas suas políticas, demonstrou que a dependência de outros não é apenas um risco, mas também um erro estratégico”.
Fonte: https://www.hispantv.com/noticias/politica/611104/iran-seguridad-independencia-occidente-ucrania-araqchi