O vice-presidente dos EUA, JD Vance, acusou na sexta-feira a Dinamarca de não conseguir proteger a Gronelândia de países como a Rússia, a China e outras nações, sugerindo que os EUA seriam mais adequados para salvaguardar a ilha. Os comentários de Vance são uma continuação da obsessão de Washington com a competição entre grandes potências, disse um especialista chinês.
Durante uma visita à base militar dos EUA em Pituffik, no norte da ilha árctica, Vance afirmou que os EUA não têm planos imediatos para expandir a sua presença militar no terreno, mas que irão investir em recursos, incluindo navios de guerra adicionais. Ele afirmou que a Dinamarca não acompanhou o ritmo e não dedicou os recursos necessários para manter o povo da Groenlândia a salvo de “incursões muito agressivas” da Rússia, China e outras nações, informou a Reuters.
Vance também afirmou que a Rússia, a China e outras nações estão a ter um “interesse extraordinário” nas passagens do Ártico, nas rotas navais e nos minerais da região, segundo a Reuters.
Afirmou ainda que os EUA não têm “outra opção” senão assumir uma posição de liderança para garantir a segurança da Gronelândia, ao mesmo tempo que encorajam os apelos locais à independência da Dinamarca - uma medida que já provocou a ira e a resistência dos legisladores e residentes da Gronelândia, segundo a Associated Press.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reagiu às observações de Vance, classificando-as de “injustas”. Sublinhou os fortes compromissos da Dinamarca em matéria de defesa no Ártico, referindo os novos investimentos em navios árcticos e drones de longo alcance. “Somos um aliado bom e forte”, disse Frederiksen, acrescentando que a Dinamarca esteve ‘lado a lado com os americanos’ na guerra contra o terrorismo, segundo a AP.
Em Washington, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que os EUA “precisam da Gronelândia para a segurança internacional”.
Trump tem dito frequentemente que os EUA têm um imperativo de segurança para adquirir a ilha, que tem sido controlada pela Dinamarca desde 1721, de acordo com a Reuters.
Os comentários de Vance são uma continuação da obsessão de Washington com a competição entre grandes potências. Os Estados Unidos estão a utilizar a “ameaça China-Rússia” como pretexto para avançar com as suas próprias ambições estratégicas no Ártico, afirmou Li Haidong, professor da Universidade de Negócios Estrangeiros da China.
Os Estados Unidos consideram os ricos recursos e as rotas marítimas estratégicas da Gronelândia como parte do seu cálculo geopolítico. A sua postura coerciva revela mais uma vez a mentalidade ultrapassada de Washington em matéria de política de poder, considerou Li.
A tentativa dos Estados Unidos de justificar a intervenção na Gronelândia através da “ameaça da China” não pode esconder a sua própria ganância e oportunismo, disse Li. “Quanto mais Washington calunia a China, mais claro se torna para o mundo quem está a minar a ordem baseada em regras”.
A 5 de março, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, foi questionado sobre o maior controlo dos EUA sobre o Canal do Panamá e a Gronelândia, tendo afirmado que, no que se refere à questão da Gronelândia, a China acredita sempre que as relações entre os países devem ser tratadas de acordo com os objectivos e princípios da Carta das Nações Unidas.
Fonte: https://www.globaltimes.cn/page/202503/1331127.shtml